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Literatura, Livros

[Diário da Escritora #3] Histórias semelhantes

diario-da-escritora-folha-volanteCerta vez em uma conversa com uma amiga, contei por cima uma ideia de uma história que pretendia escrever. Ela ouviu, calma e paciente, e quando encerrei o discurso, ela comentou de pronto:

– Parece um livro que eu li.

Foi como um tapa na minha cara. A minha empolgação e satisfação com a história que eu supunha “brilhante” simplesmente foram dizimadas. Pode soar trágico, mas eu realmente fiquei devastada. Desisti da história. Dei um tempo. Guardei o texto no fundo da minha gaveta e quando o bichinho da inspiração voltou a me picar, comecei a escrever uma nova história. A empolgação tornou a me animar. Minha mente fervilhava de ideias sobre os personagens, sobre a narrativa. A criatividade batia a minha porta outra vez. Entretanto, os percaussos inevitavelmente aparecem.

Cá estava eu, na internet, divagando como de praxe, quando cliquei numa página sobre lançamentos literários. E qual não foi a minha surpresa ao ler a sinopse de um dos livros? A história era muito, muito parecida com a que estava escrevendo. Nem preciso mensurar aqui a minha decepção. Frustrada, novamente desisti da história. A engavetei. Dei um tchau redondo.

Mais uma vez dei um tempo. Refleti. E o tempo me fez ver que é impossível fugir das semelhanças. Quantas histórias possuem aspectos semelhantes? Quantas cenas descritas numa obra podem nos relembrar outra? Claro que não podemos fechar os olhos para o plágio e renegá-lo como se fosse uma simples coincidência. É triste, não consigo entender como alguém pode ser capaz de cometê-lo, porém, o plágio é um fato na literatura. Entretanto, as semelhanças entre as obras também são fato. Enredos semelhantes temos aos montes. Ultimamente quantas sagas distópicas têm conquistados as prateleiras das livrarias e dos leitores? Certo tempo atrás foram os vampiros. E bem, eles retornam sempre. Sempre estão em pauta. O que quero dizer é que há enredos aparentemente semelhantes. Porém, a escrita, o desenrolar da trama e sobretudo os personagens é que são as peças que juntas tornam uma história singular.

Além disso, somos influenciados pela cultura em que vivemos, pela sociedade na qual estamos inseridos. As músicas que escutamos, os filmes que assistimos, os livros que lemos. Tudo, tudo está ligado direta ou indiretamente ao processo criativo. E tais aspectos possuem pontos em comum entre milhares de pessoas. Eu não sou a única a ter lido Hamlet e nem fui a única espectadora de Supernatural. Sendo assim, entendi que esmorecer, frustrar-me diante de uma história de sinopse parecida com a que pretendo escrever não irá me ajudar em nada, absolutamente nada. Eu devo continuar. E será o meu modo de escrever, a trama que criarei e os meus personagens que irão, juntos, tornar a minha história diferente das semelhantes. Única.

 

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