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Literatura, Livros

[Diário da Escritora #2] Driblar a resistência

diario-da-escritora-folha-volanteHá dias em que você senta diante do computador e encara aquela maldita tela branca, da folha virtual do editor de texto e não lhe vem nenhuma ideia. Você coloca a melhor música que pode escutar no instante de escrever tal história. Procura encontrar em algum lugar a forcinha mágica que te leva a deslanchar por páginas e mais páginas sobre aquela trama que você tanto idealiza. Mas, nada vem. É só você encarando uma folha virtual em branco. Por minutos, horas… E tal situação se repete por dias, meses. E o vazio dessa folha em branco pesa na sua mente aflita. Pesa e incomoda tanto quanto a vontade de escrever. Na verdade, mais, muito mais. Foi aí que entendi: mais do que inspiração, é preciso esforço e dedicação para terminar uma obra.

Já li em diferentes blogs literários que a arte da escrita não é fácil. Nem de longe imaginei que seria tão difícil como tem sido. Não consegui terminar uma obra ainda. E isso me consome terrivelmente. Consome, pois quero pôr no papel tudo o que arquiteto em minha mente, tudo o que fantasio, porém, não quero fazer isso de qualquer jeito. E, talvez, creio que aí esteja o meu maior calo. A preocupação com o estilo e a qualidade da escrita. Eles atam minhas mãos e bloqueiam a minha mente de modo que eu permaneço estancada na página em branco ou num mesmo parágrafo. Tudo é muito ruim, nada, absolutamente nada que escrevo parece bom o suficiente. E aí vem a tal síndrome do “apaga-escreve-apaga-escreve” para completar a minha aflição.

Outro dia, cheguei a conclusão que se, por acaso, eu não tivesse apagado as “porcarias” que julguei ter escrito, provavelmente já teria meu primeiro rascunho. Afinal, é disso que se trata o primeiro texto que você escreve da obra: um rascunho. Foi então que finalmente entendi que há muito mais após essa etapa de terminar de escrever a história. É depois que começa a edição. Aparar as arestas, corrigir as besteiras escritas, deletar as cenas inúteis. E é no rascunho que posso me dar o luxo de errar e errar de novo. O tempo de corrigir vem depois. É o passo seguinte.

Portanto, é preciso deixar que o texto flua naturalmente e para isso é preciso superar o medo de escrever mal, o receio de não ser bom o suficiente. E assim é escrever: contar, recortar, rescrever, apagar, mas criar! Não é fácil. Nunca será. Mas a vontade de colocar essa história no mundo – e quando me refiro a mundo, refiro-me ao mundo de um leitor – tem que superar o bloqueio e a estagnação. Afinal, a inspiração é fugaz. E, claro, é preciso aproveitá-la. Ela é tão rara! Entretanto, durante boa parte do processo criativo, o escritor tem que lidar, sobretudo, com o peso da página em branco, da escassez de ideias e tentar, apesar de, mergulhar na história que ele quer contar. O trabalho aqui é driblar a resistência.

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