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[Deguste] Pé na estrada

Em meio a essa onda de adaptação de livros para filmes, nesta última sexta-feira (13) estreou mais um longa que se adequa a este padrão:  Na estrada (On the road). Dirigido por Walter Salles (Diários de motocicleta), o filme é baseado na obra  de Jack Kerouac , Pé na Estrada, publicada em 1957 nos Estados Unidos. Então, como eu ainda faço parte daquele tipo de público que prefere ler a obra original antes de ver a adaptação, resolvi tratar sobre ela no Deguste dessa semana.

Sinopse
Sal Paradise é o narrador de ‘On the road – pé na estrada’. Ele vive com sua tia em Nova Jersey, Estados Unidos, enquanto tenta escrever um livro. Em Nova Iorque, conhece um andarilho de Denver de personalidade magnética chamado Dean Moriarty. Dean é cinco anos mais novo que Sal, mas compartilha o seu amor por literatura e jazz e a ânsia de correr o mundo. Tornam-se amigos e, juntos, atravessam os Estados Unidos, de New Jersey até a Costa Oeste, deparando-se com os mais variados tipos de pessoas, numa jornada que é tanto uma viagem pelo interior de um país pela Rota 66 quanto uma viagem de auto-conhecimento – de uma geração assim como dos personagens. Unindo ação, emoção, sonho, reflexão e ambiente, Kerouac procurou captar a sonoridade das ruas, das planícies e das estradas americanas, mostrando ao mundo o lado sombrio do sonho americano e criando um livro que transformaria milhares de cabeças, influenciando a arte e o comportamento da juventude na segunda metade do século XX.

O fato de Pé na estrada ser considerado uma obra-prima está intimamente ligado à Geração Beat.  Aliás, o livro é considerado a bíblia da Geração Beat, o próprio manifesto Beat. Por que? A história de Sal Paradise, que caí na estrada para encontrar seu antigo amigo Dean Moriarty, pode parecer simples a princípio, porém, no decorrer da narração, percebe-se que ela sintetiza toda a ideologia que fundamentou o movimento defendido pelos jovens na década de 60 (que culminou, bem mais a frente, no movimento Hippie). Ou seja, a busca por uma vida espontânea, criativa, livre – ao ponto  de ultrapassar, em muitas vezes, os limite impostos por diversos setores da sociedade -, traduz o pensamento não-conformista, opondo-se, deste modo, ao American Way of Life.

Na verdade, a obra pode ser considerada uma espécie de autobiografia, uma vez que o personagem principal, Sal Paradise, seria uma espécie de alter ego de Kerouac. No período em que escreveu Pé na estrada, o autor saiu mundo à fora, experimentou o convívio com pessoas que viviam à margem da sociedade, abusou das drogas, fugiu de todos os padrões impostos e, em seguida, lançou o livro.  Uma obra que engloba toda esta experiência.

Em frases longas, geralmente muito descritivas e com poucas pontuações, Kerouack pode deixar, em alguns momentos, o leitor um tanto perdido com o turbilhão de informações lançadas. No entanto, este turbilhão é necessário para que se possa sentir toda emoção e energia do universo vivido pelos personagens. Uma realidade repleta de extremos. Muitas drogas, muito rock, muito jazz, muito sexo, muitas reflexões… Aliás, esta é uma obra extremamente reflexiva. Me fez lembrar, em algumas passagens, de Na natureza selvagem (Into the wild). E para quem gosta de pensar além do que está escrito, esta obra é um prato cheio.

Embora a narração seja feita em primeira pessoa, por Paradise, vejo o livro de modo divido. Um lado a visão de Paradise, pelo outro Moriaty. Sal seria o lado reflexivo. Aquele lado desbravador do mundo, mas de modo a obter conhecimento por meio de novas experiências. É o lado da busca, de aventuras e, ainda assim o sossego. Já Moriarty, é a transgressão. Alegria, ódio, amor, indiferença, culpa e inconsequência em um pacote só. Há quem diga que ele é a alma do livro, mas eu acredito que é a combinação de experiências/personalidades dos dois personagens que torna esta história tão apaixonante e, claro, um clássico que precisa ser lido e apreciado.

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